terça-feira, 14 de julho de 2015

Consciência da Unidade

Entender as relações é entender o quanto  se pode oferecer ao invés de receber. Tomar consciência trata-se pensar coletivamente uma vez que o desejo humano primário é individualista. Deixar o ego é o não pensar em quanto irá receber da relação que você tem ou terá. Deixar o ego é pensar em quanto você vai proporcionar para que o outro venha tomar consciência da unidade.

A consciência de duas ou mais pessoas leva a unidade. Por isso Deus é uno, porque os 3 Seres são conscientes. Ou seja, Eles pensam individualmente mas de forma coletiva e, para tanto se submetem de forma harmonica que se traduz no amor, por isso Ele é amor. A Existencia é submetida a si mesma, suas leis são infalíveis pois se houvesse desacordo nao haveria existencia. Jesus disse: “Quem vê a mim, vê ao Pai”, então como era Jesus? Sempre servo do outro, nunca exigiu nada de ninguem, todos ficaram com Ele por amor (submissão). Talvez no nosso português essa palavra soe como algo análogo à escravidão, mas a submissão tem que ser vista de outra forma, como o altruísmo, como o esvaziar de si para encher-se do Espirito do Amor. Em João 13: 12-15, Jesus faz-se servo mostrando como era a sua relação com o Pai. 

"Quando terminou de lavar-lhes os pés, Jesus tornou a vestir sua capa e voltou ao seu lugar. Então lhes perguntou: “Vocês entendem o que fiz a vocês? Vocês me chamam ‘Mestre’ e ‘Senhor’, e com razão, pois eu o sou. Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei os seus pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz."


Se Eles são um fica claro que a unidade entre os irmãos depende da consciência do todo e não de um.

Amar o próximo é tomar consciência de unidade. Jesus fala em João que uma vez que nós nos tornemos um entre nós, ou seja, formos uma unidade daí seremos uma unidade com Ele.
João 17:20-22:

20 Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra;21 a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.22 Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos;23 eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.

A relação é: Jesus em nossas mentes e Jesus na mente do Pai. Ou seja, adquirir a mente de Cristo é ter consciencia de unidade entre nós, pensa-se só mas nao só em si. Voce terá desejos, sentimentos como qualidade de individuo, mas para se unir no Corpo é necessário entrar na consciencia do Deus da totalidade, pois hoje vemos Deus como um individuo como coisa, e nao como Ser. Ser não é coisa, é quando olhamos para nossa consciencia, para o fato de lermos isso tudo, tendo conhecimento de nós mesmos sabendo que somos, tendo certeza que nao precisamos do corpo para ser. 

De alguma forma isso esta impresso em nós. Sabemos que somos, nao nos consideramos como coisa, como um corpo ambulante, mesmo olhando no espelho voce enxerga um ser e nao apenas um corpo, mas o dia-a-dia faz voce esquecer disso. Ser independente de ter corpo é o que Deus é. Pense na possibilidade de tirarmos o nome de tudo que conhecemos: planeta, sol, lua, galaxias, atomos, pele, gente, etc... O que existiria? Tudo existiria sem nome, então tudo apenas uma coisa só. Antes de nominarmos essas coisas como elas se chamavam? Será que se chamavam ou apenas eram, continuariam sendo e seriam? Nominar é individualizar o Ser quando quem se separou foi nós. No jardim do Éden o homem não ganhou consciência, na verdade ele perdeu. Ele era um com Deus, ele fazia parte da relação e vivia sendo parte do todo, pois toda a natureza age em harmonia nao por falta de consciencia, mas por consciencia mutua, uma vez que a arvore nao iria querer produzir oxigenio para todos, mas quem sabe para alguns, e a agua que ela usaria seria apenas para crescer ficar bem grande e usaria todos os recursos que criariam mais folhas para coletar gas carbonico e usaria para enlarguecer seu tronco e ser a maior de todas, e todas fariam isso e o mundo ja nao ia ter oxigenio suficiente pois elas agora estariam competindo entre si sem fazer pelo meio, para o bem de todo o planeta. 

Tomada de consciencia portanto nao é viver para si, mas morrer para si em favor de Cristo (o todo). É a perda do pensamento individualista, pois quando se faz coisas para si proprio nao se faz pela consciencia mas pelo pensamento subdesenvolvido, uma vez que pensar nos outros é um tipo de inteligencia superior, se submeter ao todo não é ignorancia, pois toda a natureza ao nosso redor está fazendo isso e tudo flui impressionantemente, e quanto mais deixamos a natureza em paz, mais ela desenvolve e nao gera beneficio para si propria mas para o todo, crescendo sem se por como mais importante do que outras especies, porem compreendendo a dinamica de cada nivel, nao interferindo nas relacoes para evoluir, mas se fazendo necessaria para a evolução de tudo.

A Amazonia serve para todo o resto do planeta. Se ela tivesse pensamento individual pensaria: que culpa eu tenho se os outros lugares nao tem mais oxigenio? Agora eu terei que deixar de ser bem bonita pra produzir oxigenio pro resto do mundo? A que bobagem! (Me sinto tão ignorante nesse momento, pois me pareço tanto com esse pensamento).

Julgo importante analisar como é descrito Deus em hebraico, pois é bem longe do que nos fazem pensar e da ideia simplista que temos atualmente, vejamos:

“O Nome
O fluxo de ser: agora você encontrou D'us. De fato, em hebraico, este é o Seu Nome. O Nome de D'us é uma série de quatro letras que expressam todas as formas do verbo de todos os verbos, o verbo ser: é, foi, sendo, será, a ponto de ser, fazendo ser, deveria ser – todas essas estão naquelas quatro letras do Nome de D'us. Como D'us disse a Moshê quando ele perguntou Seu Nome: “Eu serei aquele que Eu serei.”

Em nossos modernos idiomas, aquilo não funciona. Escorregamos rapidamente para a armadilha das coisas novamente. Quem é D'us? Respondemos: “Ele é Um que foi, é e será.”

Aqui vamos nós com a “coisa que é” novamente. Não, D'us não é uma coisa que é, foi ou será. D'us é em si mesmo. Uau! A frustração da linguagem. Precisamos de novas palavras: Endo, Serzice. Coisice. Coisificador. Em hebraico você pode conjugar o verbo ser em todas essas maneiras e outras. Talvez um dia em português, você faça o mesmo. Até então, somos como artistas usando as cores para imitar Rembrandt: como músicos tentando tocar ritmos do oriente médio em Dó Maior temperado.

E a prova: fazemos perguntas que somente têm sentido em português, mas em hebraico são totalmente absurdas. Como: “D'us existe?” Em hebraico, isso é uma tautologia, de alguma forma o equivalente a “A existência existe?” ” http://www.chabad.org.br/biblioteca/artigos/queDus/home.html

Jesus em João explica sobre a tomada da consciência de unidade que está claramente expressa na trindade. O rapaz quando olha para moça e observa suas qualidades logo pensa em como aquilo seria bom para si. De fato seu egoísmo nao o deixa ver a relação de unidade mas, de benefício próprio, e como visto anteriormente o pensamento correto é que voce não terá relação com a moça, mas você será a relação com ela, pois não é isso que Jesus é com o Pai, um só? Então por que vemos a relação como “com” e nao “sendo”? Porque não criamos consciencia de unidade, parece que nao queremos ser “um com”. 

A relação entre nós deve ser de o quanto podemos proporcionar para que a consciência de unidade se forme e nao o quanto você terá em seu favor daqueles no qual voce se relaciona. Se você pensar individualmente você estará sugando as outras pessoas a ponto da relação com o passar dos anos se acabar, ou ate mesmo antes de começar. O corpo de Cristo nada mais é do que todos nós pensando conjuntamente numa só consciência de benefício mutuo, de não aproveitamento próprio, e que por sua vez se esse que pensa apenas em si não tem parte no corpo por não ajudar no “fluxo” e se estiver dentro é um virus, que imediatamente deve ser retirado. O corpo que não percebe o vírus está fraco. Por isso alimentar da palavra fortalece a consciência da unidade deixando percebível, como um vírus fica, quem não faz parte. 

Quando todos nós tomarmos a consciência de unidade e formos essa unidade teremos a mente de Cristo, e uma vez que temos sua mente estamos ligados ao seu corpo. Tudo que Jesus ensinou foi sobre submissão. Ele se submeteu. O segredo da unidade da relação para formação de uma só consciência é submissão mutua. Não só uma parte deve ser submissa. Paulo escreve sobre isso na relação do casamento que é um outro exemplo de unidade, a mulher sendo submissa e tambem o homem. Se a pessoa constroi para si um castelo geralmente ela não tem consciência de unidade pois para que serve um castelo senão como um forte afim de proteger toda a população? E se o faz para nada alem de vaidade esse é o pior dos ignorantes. 

A unidade não está só na esfera das relações intimas. Ela esta presente em tudo ao nosso redor, no que liga nossos sentidos a nosso espirito: como vemos, como tocamos, como ouvimos, como cheiramos e saboreamos. Todos esses sentidos devem sentir o que os outros individuos sentem, pois quando eles são usados fluem para dentro do ser. E como a unidade não “sofre com os que sofrem”? Como não “chora com os que choram”? Não são a mesma pessoa?

O nosso desejo primário de querer ser rico para si próprio, ou ter uma bela esposa para satisfação do seu próprio desejo são exemplos de como essa individualidade do pensamento funciona em detrimento da mente consciente. Esses sentimentos primários bloqueiam a visão da unidade pois são a forma mais rude e vil de sentimento. 

Devemos nos livrar deles pois os mesmos tiram a consciência do amor, que é a evolução dos sentimentos individuais, uma vez que quer tudo, mas não só para si.

Por fim: o conhecimento adquirido para o beneficio do proprio individuo gera orgulho e arrogancia, porem quando ele é para as relações gera amor pois foi antes de tudo submisso ao outro sendo que de forma humilde é que se buscou aprender, sem egoismo em si, vendo-se só ser em relação aos demais, e que aquele conhecimento será dado para todos em qualquer lugar, já que o que de graça se adquire, de graça se dá!

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